Relatório do IPCC evidencia grave cenário climático com consequências irreversíveis.

O novo Relatório de Análise do Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC), divulgada dia 9 de Agosto em Genebra, alerta para os efeitos irreversíveis do aquecimento global e a inquestionável influência da ação humana sobre o cenário. O Sexto Relatório de Análise deixa evidente que as alterações climáticas estão se intensificando em velocidade assombrosa e com consequências gravíssimas para o planeta e para os seres humanos. 

Segundo os dados, foram lançados à atmosfera 2.390 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) entre 1850 e 2019. Para limitar o aquecimento global a 1,5°C, esse total não poderia ultrapassar a marca de 2.900 bilhões de toneladas, mas no ritmo atual esse limite seria ultrapassado já por volta de 2040. Os dados alertam para a necessidade de uma reação imediata de todos os países para a redução drástica das suas emissões de gases de efeito estufa. Até agora, o aumento foi de 1,1°C de aquecimento global total, mas ressalta que a marca de 1,5°C já foi ultrapassada nos continentes, que aquecem muito mais rápido que os oceanos.

A projeção é que quanto maior o aquecimento, maiores a frequência e a intensidade de eventos extremos, como aumento na ocorrência e na intensidade de tempestades, secas, ondas de calor, derretimento acelerado das geleiras e da calota polar do Ártico, aumento do nível e da temperatura do mar, mudanças drásticas de precipitações (chuvas) e outras consequências que implicam na sobrevivência da espécie humana no planeta.

O IPCC elaborou cinco cenários de emissões de gases de efeito estufa para o período 2015-2100, sendo dois mais otimistas, em que as emissões decaem rapidamente nas próximas décadas, um cenário intermediário, em que as emissões permanecem estáveis até 2050 e diminuem gradativamente, e dois cenários pessimistas, em que as emissões continuam a crescer até o fim do século. Em análise dos dados do Sexto Relatório, o físico brasileiro Paulo Artaxo da Universidade de São Paulo, aponta que o cenário que melhor representa a trajetória atual do mundo, é o intermediário, no qual o aquecimento global ultrapassaria 2°C por volta de 2050 e chegaria a 3,6°C no fim do século, com potencial para chegar a 4,6°C.

Uma das consequências mais impactantes e irreversíveis do aquecimento global é a elevação do nível do mar, e do derretimento em massa das geleiras. Segundo os dados, o nível global do mar elevou 20 cm entre 1901 e 2018, e mesmo que as emissões zerassem imediatamente, essa elevação continuará em curso por pelo menos alguns séculos de milênios, até o calor ser absorvido e dissipado no oceano. A estimativa é que o nível do mar subirá de 2 a 3 metros nos próximos 2 mil anos se o aquecimento global se limitar a 1,5°C, ou até 6 metros para a elevação de 2°C. Outros efeitos irreversíveis nos próximos séculos incluem o aquecimento, a acidificação e a desoxigenação das águas oceânicas, com impactos gravíssimos para a biodiversidade marinha global.

Para um cenário de 2°C de aquecimento global, a previsão para o Brasil é que a região Norte se torne mais quente e seca, o que poderá alterar gravemente o equilíbrio da Amazônia. A região Nordeste que já é naturalmente seca sofreria impactos hídricos, energéticos e alimentar gravíssimos. A região Centro-Oeste também ficaria mais quente e seca, e a Sudeste, além de mais quente, estaria sujeito a extremos climáticos de natureza hídrica.

Segundo Inger Andersen – Diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e secretária-geral adjunta das Nações Unidas, “As Mudanças Climáticas são um problema do presente, não do futuro. Ninguém está seguro.”

Para Paulo Artaxo – Físico brasileiro da USP, “É hora de agir, imediatamente”.

 

Fonte:https://jornal.usp.br/ciencias/ipcc-se-nada-for-feito-colapso-climatico-e-iminente/